"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser,
mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las" (Voltaire)
(esta flor é símbolo de pura gentileza e espero escrever sobre ela num próximo post)Quem é voluntário trabalha com o coração e recebe o próprio prazer pelo trabalho bem feito. Há quem visite asilos e orfanatos, quem distribua comida, brinquedos, sonhos...
Foi num teste vocacional, há quinze anos, que me disseram que estou mais para ajudar as pessoas em serviços burocráticos do que em trabalho assistencialista. De fato, não 'funciono' muito bem em hospitais, asilos, orfanatos, creches e afins... digamos que até já fiz umas micro-tentativas, mas nunca gostei muito dos resultados... Por isso, admiro mais ainda quem tem este dom, esta vocação, de se doar a quem está tão frágil.
Mas, voltando à burocracia... amanhã será um dos dias em que posso me redimir e servir ao próximo pelo simples prazer do trabalho bem feito: serei mesária, como há anos, de bom grado e sorridente (sou voluntária).
Desilusões políticas à parte, mesmo um pouco contrariada com o sistema (em especial ao voto obrigatório), este é o meu momento de voluntariado. O trabalho é pouco, geralmente bienal, mas a cada eleição uso todas as minhas forças para fazer com que, na sessão em que trabalhe, as coisas funcionem direito.
Estou a serviço da democracia (ou o mais próximo possível do que possa ser democracia na atual conjuntura), não me interessam os resultados que saem da urna, mas sim a garantia do caminho do voto do momento em que o eleitor entra na sala até a hora em que aperta a tecla verde, ouve a musiquinha e recebe seu comprovante de votação.
Certa vez ouvi um 'Papai-Noel' emocionado me contar sua satisfação ao entregar brinquedos a crianças carentes no Natal... não sei se peco em comparar, mas a cada eleição acho que sinto um dedinho do que seja esta tal satisfação e posso garantir: não tem preço!
___________________________________
Obs: entendo quem torça o nariz - se o voluntariado assistencialista me é caro demais, imagino que o burocrático (confere título, libera urna, sorri ao eleitor) também possa ser terrível para algumas pessoas.